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Do silêncio ao sentir: o caminho de volta à alma.

  • Foto do escritor: Ser autointegrado
    Ser autointegrado
  • 12 de abr. de 2025
  • 3 min de leitura

Há um silêncio que pesa, outro que esconde, mas também aquele que convida.

Convida a escutar o que já não pode ser ignorado: o sentir.

O corpo que dói sem razão aparente.

A tristeza que aparece sem nome.

A inquietude que pulsa sem explicação.


Na psicologia junguiana, chamamos de alma essa dimensão viva, simbólica, que busca sempre se expressar — ainda que não tenhamos aprendido a escutá-la. Quando nos afastamos de nossa natureza mais profunda, ela sussurra através de sonhos, sintomas e repetições. E o convite da alma é sempre o mesmo: voltar para dentro.




O feminino que foi silenciado


Muitas mulheres cresceram aprendendo a calar. A serem boas, agradáveis, fortes o tempo todo. E, nesse processo, foram se afastando da própria verdade sentida.


Esse silêncio imposto apagou o rastro da intuição. E agora, adultas, muitas carregam um vazio ou uma sensação de que “algo está faltando”, mesmo que a vida pareça estar no lugar.


Essa desconexão não é individual — é coletiva. É o reflexo de um feminino ferido, dividido entre o que esperam dela e o que ela realmente é. E para curar essa ferida, não basta entender. É preciso sentir.



O caminho simbólico de volta à alma


Na jornada de individuação, descrita por Jung, o caminho de volta à alma é um retorno à inteireza. Significa acolher o que foi rejeitado, reencontrar o que foi esquecido. E isso só é possível quando nos autorizamos a sentir, sem censura, sem julgamento, com coragem.


Não se trata de “voltar a ser quem éramos antes”, mas de lembrar quem somos, para além das máscaras que vestimos. É um reencontro com a nossa natureza intuitiva, simbólica, viva. Um retorno ao ventre da alma.



Exemplo prático: o gesto de escuta interna


Experiência simbólica – O diário do sentir silencioso


Durante sete dias, antes de dormir, escreva por alguns minutos em um caderno o que o dia despertou em você em sensações.

Não racionalize. Escreva com o corpo.

Algo como:


  • “Senti um aperto no peito quando aquela pessoa falou comigo.”

  • “Me deu vontade de chorar sem motivo.”

  • “Tive um sonho estranho com uma estrada de terra e uma casa vazia.”


Depois, leia em silêncio, respire e apenas observe. Deixe que as palavras ecoem em você. Elas podem não ter sentido agora — mas estão abrindo o caminho de volta à sua alma.



Um acréscimo necessário: a coragem de desacelerar


Retornar ao sentir não é um movimento rápido.

Exige coragem para pausar.

Para ficar consigo mesma.

Para olhar para dentro e se permitir ser atravessada por aquilo que emerge.


Mas é nesse espaço interno, muitas vezes evitado, que a alma começa a sussurrar de novo.


“O que você sente, quando não precisa parecer forte?”
“Que partes de você têm sido caladas?”
“O que está querendo nascer em você?”

Quando o silêncio pesar, busque um espaço de escuta verdadeira


Esse caminho de volta à alma não precisa (e nem deve) ser solitário. Às vezes, o que a alma mais precisa é ser ouvida por outra alma — com presença, acolhimento e profundidade.


A psicoterapia, especialmente pela via simbólica e junguiana, pode ser esse lugar:

  • Um espaço onde o sentir encontra forma.

  • Onde os sonhos são respeitados.

  • Onde o silêncio vira linguagem.


Se você sentiu que algo desse texto tocou sua verdade mais íntima, te convido com carinho a iniciar ou retomar sua jornada de reconexão. Estou aqui para caminhar com você.



Juliana Bezerra Vasconcelos - CRP 11/22411

Psicóloga Junguiana

atendimentos online (85) 98736-9156


 
 
 

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Juliana Bezerra Vasconcelos

Psicóloga Clínica
CRP: 11/22411

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