Maio, Mães e o Feminino Interno: entre arquétipos e feridas.
- Ser autointegrado
- 19 de mai. de 2025
- 2 min de leitura
Maio costuma ser um mês de homenagens, flores e palavras doces direcionadas às mães, mas nem sempre essa data toca suavemente. Para muitas mulheres, o mês das mães ativa algo mais profundo: feridas antigas, memórias confusas, sentimentos ambíguos de amor, culpa, ausência ou exigência.
Nem todas cresceram com a presença de uma mãe acolhedora. E mesmo quem teve uma relação aparentemente estável pode carregar dentro de si conflitos difíceis de nomear. É nesse ponto que a psicologia junguiana pode oferecer uma lente simbólica e amorosa para olhar o que dói — e também o que quer florescer.
A Grande Mãe: símbolo universal do feminino
Na abordagem de Jung, o arquétipo da Grande Mãe representa o feminino primordial — uma força instintiva e profunda, que pode nutrir e proteger, mas também sufocar e devorar. Essa Mãe simbólica vive em todas as culturas, nos mitos, nas deusas e nas profundezas da psique.Ela é tanto a terra fértil que dá à luz e acolhe, quanto a noite escura que aprisiona e silencia.
Dentro de nós, essa energia pode se manifestar de formas muito diferentes: como a mulher que cuida de todos menos de si, como a que exige perfeição de si mesma, ou ainda como aquela que sente culpa por não “ser o suficiente” em nenhum papel.

O Complexo Materno: quando a história se repete por dentro
Além do arquétipo coletivo, cada pessoa também carrega em seu mundo interno o que Jung chamou de complexo materno — um núcleo psíquico formado pela relação com a mãe real (ou com sua ausência), pelas emoções vividas na infância e pelas projeções da cultura sobre o que é ser mãe ou filha.
Esse complexo pode influenciar, sem que percebamos:
Como cuidamos (ou negligenciamos) de nós mesmas;
Nossos vínculos com outras mulheres;
A forma como vemos o feminino, o corpo, os ciclos;
E até como exercemos a maternagem — dos filhos ou de projetos e sonhos.
Quando o complexo está ativado de forma inconsciente, tendemos a reagir automaticamente, seja repetindo padrões ou tentando fugir deles.É como se uma parte da nossa psique ainda estivesse presa em um antigo diálogo interno com a figura materna.
Curar a mãe interna
É importante lembrar que esse trabalho não é sobre culpar a mãe real, mas sobre acolher a verdade da nossa experiência psíquica — aquilo que sentimos, mesmo que seja contraditório, doloroso ou difícil de explicar. Na psicoterapia junguiana, podemos revisitar essas camadas com segurança e profundidade, permitindo que uma nova relação com o feminino interno seja construída. Uma relação mais amorosa, mais justa, mais real.
Aos poucos, aprendemos a:
Distinguir o que é nosso do que foi herdado;
Reconhecer a “mãe interna” que julga, exige ou silencia — e transformá-la;
Cultivar uma força interna que cuida com presença e compaixão.
Um convite
Se você sente que esse tema toca algo dentro de você — uma saudade, uma dor antiga, uma vontade de se entender melhor — saiba que esse é um caminho possível. Delicado, sim, mas profundamente transformador. Cada mulher carrega dentro de si a possibilidade de se tornar sua própria fonte de amor. E você não precisa fazer isso sozinha.
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Juliana Bezerra Vasconcelos - CRP 11/22411
Psicóloga Junguiana
atendimentos online (85) 98736-9156




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